Elias — o falso profeta do Apocalipse
Poderia o falso profeta do Apocalipse apresentar-se ao mundo como o Elias prometido e usar o próprio milagre de Elias — fazer descer fogo do céu — para autenticar o Anticristo? Uma hipótese teológica sobre a marca, a imagem, a falsa Eucaristia e o confronto final entre o falso Elias e o verdadeiro Elias.
Nota teológica: este artigo apresenta uma especulação teológica privada. Ele distingue entre os textos bíblicos, revelações privadas relatadas por videntes e hipóteses interpretativas. Não constitui doutrina católica.
Pode haver uma razão pela qual o falso profeta do Apocalipse realiza, entre todos os sinais possíveis, um milagre em particular.
Ele faz descer fogo do céu.
“E realizava grandes sinais, a ponto de fazer descer fogo do céu à terra, à vista dos homens.” — Apocalipse 13,13
Para qualquer pessoa familiarizada com o Antigo Testamento, é difícil ignorar a associação.
O profeta Elias fez descer fogo do céu.
No monte Carmelo, Elias confrontou os profetas de Baal e propôs uma prova: o Deus que respondesse com fogo se revelaria como o verdadeiro Deus. Elias rezou, o fogo desceu e o povo caiu com o rosto em terra, reconhecendo que o Senhor é Deus (1 Reis 18,20-39).
Agora avancemos para o Apocalipse.
Imediatamente antes do engano final aparece outra figura religiosa. Ela realiza sinais extraordinários. E, entre todos os milagres que João poderia ter mencionado, o Apocalipse nos diz especificamente que esse homem faz descer fogo do céu diante da humanidade.
Por quê?
Minha proposta é que esse detalhe pode revelar a identidade que o falso profeta afirmará possuir.
Ele se apresentará como o profeta Elias que retornou antes do Dia do Senhor.
Se essa interpretação estiver correta, a missão do falso profeta, o Anticristo, a marca da besta, a imagem da besta, a apostasia final, a abolição da Missa e a aparição do verdadeiro Elias poderão fazer parte de um único engano interligado.
Este artigo desenvolve essa hipótese.
Desde o início, é importante deixar claro que o que segue é especulação teológica privada, e não doutrina católica. Alguns elementos também se apoiam em supostas revelações privadas cuja origem sobrenatural não faz parte do depósito da fé. Portanto, o fundamento deve permanecer sempre a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição e o juízo da Igreja.
A marca e a imagem da besta não são a mesma coisa
Para compreender o falso profeta, primeiro precisamos observar algo estranho em Apocalipse 13.
O sistema do Anticristo contém dois instrumentos distintos:
a marca da besta a imagem da besta
Eles estão relacionados, mas o Apocalipse não os descreve como idênticos.
A marca determina se uma pessoa pode participar da vida econômica:
“E que ninguém pudesse comprar ou vender, senão aquele que tivesse a marca, ou o nome da besta, ou o número do seu nome.” — Apocalipse 13,17
Mas depois o Apocalipse fala tanto de adorar a besta e a sua imagem quanto de receber a sua marca:
“Se alguém adorar a besta e a sua imagem e receber a sua marca na fronte ou na mão...” — Apocalipse 14,9
Apocalipse 20,4 faz novamente a mesma distinção pelo outro lado, descrevendo os fiéis como aqueles que não adoraram a besta nem a sua imagem e não receberam a sua marca.
Por que o sistema precisaria de ambos?
Minha interpretação é simples:
A marca controla a participação na ordem terrena da besta. A imagem controla a adoração.
Uma representa submissão econômica e social. A outra, submissão religiosa.
A besta não quer apenas uma população que lhe obedeça. Ela quer uma população que a adore.
A guerra antes da besta
Como a humanidade poderia chegar a aceitar um sistema assim?
Em condições normais, bilhões de pessoas resistiriam a qualquer governo que anunciasse que ninguém poderia participar da vida econômica comum sem aceitar um novo sistema universal de identificação.
Mas o Apocalipse não descreve necessariamente condições normais.
Imagine, em vez disso, um mundo saindo de uma guerra catastrófica.
Governos estão desestabilizados. As cadeias de abastecimento entraram em colapso. As moedas sofreram inflação extrema ou uma grave perda de confiança. Os sistemas bancários estão danificados. Alimentos, medicamentos, combustível e eletricidade são escassos. Milhões de pessoas foram deslocadas. Os Estados precisam desesperadamente de um mecanismo para distribuir recursos limitados.
Nessas circunstâncias, algo que antes parecia tirânico poderia ser apresentado de repente como uma solução humanitária.
Essa possibilidade se torna particularmente interessante quando comparada com algumas revelações privadas contemporâneas que falam de guerra e escassez.
Mensagens atribuídas a Luz de María têm advertido sobre escalada bélica, caos mundial e escassez. Da mesma forma, as mensagens atribuídas às aparições de Sievernich, na Alemanha, contêm advertências sobre uma guerra maior e repetidos apelos à oração pela paz.
Essas afirmações não devem ser tratadas como profecias garantidas. A doutrina católica não obriga os fiéis a acreditar em revelações privadas. Elas nunca podem substituir a Revelação definitiva dada em Jesus Cristo.
Ainda assim, oferecem um cenário interessante a partir do qual contemplar Apocalipse 13: guerra → escassez → reorganização econômica → controle centralizado.
A marca da besta depois de um colapso econômico mundial
Suponha que uma enorme guerra danifique a ordem financeira existente.
O dinheiro em espécie pode continuar existindo fisicamente, mas, em regiões gravemente afetadas, sua utilidade prática pode despencar por causa da inflação, da escassez, do colapso bancário ou da incapacidade das redes de pagamento existentes de funcionar normalmente.
Então surge a solução: um novo sistema econômico digital.
Cada pessoa recebe uma identidade universal vinculada ao acesso a alimentos, medicamentos, moradia, transporte e outros serviços essenciais.
Talvez a tecnologia envolva um implante ou microchip. Talvez a tecnologia real seja muito diferente de tudo o que imaginamos hoje. A Escritura não nos explica a engenharia.
O que o Apocalipse nos diz é muito mais importante: o sistema alcança a mão ou a fronte, e sem a marca da besta ninguém pode comprar nem vender.
Portanto, o perigo não está simplesmente no fato de uma tecnologia ser digital. A tecnologia digital, por si só, é moralmente neutra. A característica definidora da marca bíblica é a adesão à besta.
No cenário proposto aqui, a marca se torna o mecanismo pelo qual o Anticristo controla o acesso à vida econômica e aos serviços essenciais.
Aceite a sua ordem e você poderá participar. Rejeite-a e será economicamente excluído.
Isso explicaria por que o sistema do Anticristo precisa da marca. Mas ainda não explica a imagem. Para isso, precisamos olhar para a segunda besta.
O Anticristo aparece como um ajudante
Muitas vezes se imagina o Anticristo aparecendo e anunciando: “Eu sou mau. Adorem-me.”
Isso enganaria pouquíssimas pessoas.
A Escritura, ao contrário, descreve um engano suficientemente poderoso para extraviar a humanidade.
Minha hipótese é que o Anticristo aparece depois de um sofrimento humano imenso como ajudante, pacificador e restaurador.
O mundo está devastado. Ele ajuda a reconstruí-lo. As pessoas estão com fome. Ele fornece alimento. Os sistemas políticos estão paralisados. Ele cria ordem. As moedas falham. Ele oferece uma nova estrutura econômica. As nações temem outra guerra. Ele promete paz.
As mesmas condições que tornam possível o seu sistema autoritário também fazem com que ele pareça compassivo.
As pessoas não o seguem inicialmente porque acreditam que ele seja o Anticristo. Elas o seguem porque acreditam que ele salvou a civilização.
E então acontece algo extraordinário.
O Aviso e o Milagre
Os seguidores das supostas aparições de Garabandal falam de dois acontecimentos futuros extraordinários normalmente chamados de Aviso e Milagre.
Segundo os relatos associados a Garabandal, o Aviso seria uma experiência sobrenatural mundial na qual cada pessoa seria confrontada com o estado de sua consciência diante de Deus. O Milagre seria depois um acontecimento público extraordinário relacionado a Garabandal e acompanhado, segundo a profecia relatada, por um sinal permanente.
Esses acontecimentos não são artigos da fé católica, e as afirmações sobre Garabandal devem ser tratadas com prudência eclesial.
Mas consideremos a hipótese.
Suponha que, no meio dessa crise mundial, aconteça algo semelhante ao Aviso. Cada ser humano experimenta algo impossível de explicar naturalmente. Depois ocorre um enorme milagre.
A humanidade perguntaria imediatamente: Quem causou isso? O que significa? Foi Deus? E, sobretudo: quem pode interpretar o que acabou de acontecer?
É precisamente nesse momento que minha hipótese coloca o surgimento da segunda besta: o falso profeta.
Elias — o falso profeta do Apocalipse
“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor.” — Malaquias 4,5
A expectativa judaica a respeito de Elias sobreviveu até o Novo Testamento. O próprio Jesus fala da vinda de Elias, ao mesmo tempo em que identifica João Batista com uma missão preparatória semelhante à de Elias (Mateus 17,10-13).
Agora imagine o poder psicológico dessa expectativa depois de uma catástrofe mundial e de acontecimentos sobrenaturais.
De repente aparece uma figura religiosa. Ela proclama: “Eu sou Elias.”
As pessoas exigem uma prova. E ele reproduz o milagre de Elias. Fogo desce do céu.
A ligação seria extraordinariamente persuasiva. Elias fez descer fogo do céu em 1 Reis 18. O falso profeta faz descer fogo do céu em Apocalipse 13.
É por isso que eu o chamo de falso Elias.
Não porque o Apocalipse diga explicitamente: “O falso profeta afirmará ser Elias.” Não diz. Trata-se de uma inferência a partir do padrão.
Mas, se o falso profeta quisesse convencer judeus e cristãos de que possui autoridade profética imediatamente antes do Dia do Senhor, afirmar ser Elias seria uma das identidades mais poderosas imagináveis. E o Apocalipse lhe dá precisamente o sinal associado a Elias.
Elias é o Anticristo?
Não. Essa distinção é essencial.
Nesta teoria, o homem que afirma ser Elias não é o Anticristo. Ele é a segunda besta do Apocalipse: o falso profeta.
Sua função é autenticar outra pessoa. Apocalipse 13 diz que a segunda besta direciona a humanidade para a primeira besta. É exatamente assim que um Elias falsificado poderia funcionar.
Sua mensagem seria, em essência: “Eu sou o profeta que Deus prometeu enviar antes do Dia do Senhor. O Dia do Senhor chegou na catástrofe que vocês acabaram de sobreviver. Deus me enviou para explicar o que está acontecendo. E eu testemunho que este homem é o salvador prometido.”
O Anticristo torna-se o falso Messias. O falso profeta torna-se o falso Elias que prepara o seu caminho.
Seria uma imitação da história da salvação. João Batista preparou o caminho para a primeira vinda de Cristo. O verdadeiro Elias pertence, na tradição cristã, à expectativa do fim. O falso profeta poderia falsificar essa expectativa preparando a humanidade para o falso Cristo.
“Jesus de Nazaré não era o Messias”
O engano precisaria então de uma teologia.
O falso profeta não poderia simplesmente anunciar que outro homem é o Messias e ignorar Jesus Cristo. Dois mil anos de cristianismo estão em seu caminho. Ele teria de reinterpretar a Escritura.
Proponho que o falso Elias poderia tentar construir um argumento bíblico dizendo que os cristãos interpretaram mal a profecia. Poderia afirmar que Jesus de Nazaré não era o Messias definitivo prometido — ou reinterpretar radicalmente quem Jesus era — e então sustentar que as profecias bíblicas sobre o Dia do Senhor apontam, na verdade, para o homem que surge durante e depois da catástrofe mundial.
Ele poderia apontar para a guerra. Para o Aviso. Para o Milagre. Para o próprio fogo do céu.
E então poderia dizer: “Esses sinais provam que Deus me enviou. O Aviso foi o teste de Deus para a humanidade. O Milagre autenticou a nova era. O homem que restaurou o mundo é o Messias que a Escritura realmente anunciava.”
O engano seria poderoso porque não se apresentaria inicialmente como ateísmo. Ele se apresentaria como uma nova revelação sobre Deus.
É aqui que a teologia católica oferece uma defesa inabelável: a Revelação definitiva de Deus é Jesus Cristo. Portanto, um profeta — mesmo alguém que aparentemente realize milagres extraordinários — condena a si mesmo pelo conteúdo de sua mensagem se disser aos cristãos que outro homem substituiu Jesus Cristo. Um milagre não pode anular o Evangelho.
O Vaticano e o falso Elias
Agora a crise chega a Roma.
Os sinais e prodígios exerceriam uma pressão extraordinária sobre a Igreja. Alguns membros do clero poderiam ser convencidos. Alguns bispos poderiam aceitar o suposto Elias. Teólogos discutiriam sobre ele. Católicos se dividiriam. Ele exigiria reconhecimento.
Mas aqui é necessária uma distinção importante. Se o Papa permanecer fiel e rejeitar o pretendente, seria inexato dizer simplesmente: “O Vaticano o aceita.”
Em vez disso, esta teoria exige uma profunda divisão dentro da hierarquia católica: uma poderosa facção em Roma aceita o falso profeta enquanto o legítimo Santo Padre o rejeita.
Então o falso Elias faz sua exigência decisiva: “Reconheçam o novo Messias.”
O Papa se recusa. E começa o maior cisma religioso da história cristã.
A grande apostasia
“Porque antes deve vir a apostasia...” — 2 Tessalonicenses 2,3
A palavra grega apostasia traz a ideia de rebelão, deserção ou abandono.
Minha hipótese identifica essa apostasia final não simplesmente com a incredulidade secular, mas com um cisma cristão sem precedentes centrado na própria identidade de Cristo.
Um lado permanece fiel: Jesus Cristo é o Senhor. Jesus de Nazaré é o Messias. Seu sacrifício é definitivo. Seu Evangelho não pode ser substituído.
O sistema religioso oposto diz: apareceu um novo Messias. E o seu suposto Elias o autentica por meio de milagres.
Isso não seria uma pequena disputa teológica. Dividiria paróquias, dioceses, bispos, sacerdotes, famílias e talvez nações inteiras.
Finalmente, a facção do falso profeta estabelece seu próprio centro religioso em Roma.
Roma, Babilônia e a Igreja falsificada
Mais adiante, o Apocalipse apresenta a misteriosa Babilônia, associada a enorme corrupção espiritual e poder político.
Minha teoria propõe que a Roma dos últimos tempos poderia tornar-se o centro do cristianismo falsificado do falso profeta.
Isso não significa que a própria Igreja Católica se torne a Igreja do Anticristo. A distinção é importante.
A Igreja fiel poderia ser perseguida e deslocada enquanto uma estrutura eclesial falsificada ocupa seus edifícios, símbolos e espaços institucionais.
O falso profeta teria então tudo o que é necessário para a imitação definitiva: bispos, sacerdotes, altares, igrejas, vestes, liturgia e algo semelhante à adoração eucarística.
Mas o objeto da adoração mudou. Cristo foi substituído pela besta.
A falsa Eucaristia
Aqui chegamos ao ponto que, na minha opinião, pode explicar o objeto mais misterioso do Apocalipse: a imagem da besta.
O catolicismo ensina que Jesus Cristo está verdadeira e realmente presente na Eucaristia — Corpo, Sangue, Alma e Divindade — enquanto as aparências externas de pão e vinho normalmente permanecem.
Cristo está realmente presente. E, no entanto, permanece sacramentalmente oculto.
“Verdadeiramente, tu és um Deus escondido.” — Isaías 45,15
Agora imagine a falsificação.
O falso profeta estabelece uma celebração litúrgica dedicada não a Jesus Cristo, mas ao suposto novo Messias. Seus sacerdotes realizam algo semelhante a uma consagração.
Mas, ao contrário da Eucaristia católica, em que a Presença Real de Cristo permanece oculta sob as espécies sacramentais, essa hóstia falsificada começa a apresentar sinais visíveis e espetaculares de vida.
Ela se move. Pulsa. Muda de aparência. Talvez pareça respirar. Talvez apareça sangue. Talvez tecido ou uma forma parecida com um rosto se torne visível. A manifestação exata é especulativa.
“E foi-lhe concedido dar vida à imagem da besta, para que a imagem da besta até falasse.” — Apocalipse 13,15
Uma imagem associada à besta parece possuir vida. E a humanidade recebe a ordem de adorá-la.
Isso leva à minha proposta central: a imagem viva da besta é uma falsa presença eucarística.
A verdadeira Eucaristia: Cristo oculto sob as espécies sacramentais. A falsificação: a besta representada por uma imagem visível aparentemente viva.
A verdadeira Missa: o sacrifício de Cristo. A liturgia falsificada: a glorificação do Anticristo.
A verdadeira Eucaristia: adoração de Jesus Cristo. A imagem: adoração da besta.
Isso explicaria por que o Apocalipse precisa tanto da marca quanto da imagem.
Por que a besta precisa tanto da marca quanto da imagem
A arquitetura agora se torna clara.
A marca controla o corpo da sociedade. Sem ela, você não pode comprar nem vender.
A imagem captura a adoração. Por meio dela, a humanidade adora a besta.
A marca diz: “Você pertence ao sistema dele.” A imagem diz: “Você adora a pessoa dele.”
A submissão econômica por si só não basta. A besta quer submissão religiosa. E a submissão religiosa por si só não lhe daria controle terreno completo.
Por isso o sistema precisa de ambos: a marca e a imagem. Comércio e adoração. Corpo e alma. Império e Igreja falsificada.
Então a Missa é abolida
Por fim, o poder do Anticristo aumenta até o ponto em que a coexistência deixa de ser necessária. A verdadeira Missa católica torna-se ilegal.
“Desde o tempo em que for abolido o sacrifício perpétuo e for estabelecida a abominação desoladora haverá mil duzentos e noventa dias. Bem-aventurado aquele que esperar e chegar a mil trezentos e trinta e cinco dias.” — Daniel 12,11-12
Os intérpretes católicos devem ser prudentes ao afirmar um cumprimento exato antes que os próprios acontecimentos tornem o significado claro.
Mas minha hipótese leva esses números a sério. Proponho que a supressão do sacrifício eucarístico poderia marcar o início da contagem final de Daniel: 1.290 dias.
Depois Daniel acrescenta outro número misterioso: 1.335 dias. “Bem-aventurado aquele que esperar.” Há algo além da perseguição. Os fiéis são chamados a perseverar.
O verdadeiro Elias aparece
E agora vem a inversão.
O mundo já aceitou um falso Elias. Ele fez descer fogo do céu. Autenticou o falso Messias. Ajudou a estabelecer o culto falsificado.
Mas a promessa de Malaquias não falhou. O verdadeiro Elias aparece.
Uma antiga tradição cristã relacionou Elias com as testemunhas finais porque Apocalipse 11 descreve dois profetas que testemunham durante a perseguição final.
O Apocalipse lhes concede 1.260 dias de profecia. Depois a besta os mata. Seus corpos ficam expostos. Após três dias e meio, Deus os ressuscita. O mundo que celebrou a morte deles os contempla com terror.
A identificação das duas testemunhas do Apocalipse com figuras específicas do Antigo Testamento é uma interpretação teológica, não um dogma católico definido. Mesmo assim, Elias ocupa há muito tempo um lugar importante na interpretação cristã dos últimos tempos.
Por isso minha hipótese propõe um confronto dramático: falso Elias contra verdadeiro Elias.
Um autenticou o Anticristo. O outro o condena. Um fez descer fogo do céu para enganar. O outro dá testemunho de Jesus Cristo. Um estabeleceu um culto falsificado. O outro chama a humanidade de volta ao Deus verdadeiro.
A história do Carmelo se repete em escala mundial.
Elias contra o falso profeta
Imagine a pergunta que confronta a humanidade.
Dois homens estão associados a Elias. Ambos afirmam possuir autoridade profética. Sinais extraordinários aconteceram. Governos, instituições religiosas e populações estão divididos.
Como um cristão sabe em quem acreditar?
A resposta não é: siga quem fizer o maior milagre.
Jesus adverte expressamente que falsos cristos e falsos profetas podem realizar grandes sinais capazes de enganar (Mateus 24,24).
O teste é a fidelidade a Cristo.
O verdadeiro profeta aponta para Jesus. O falso profeta o substitui.
O verdadeiro Elias diz: “Jesus é o Senhor.” O falso diz: “Olhem para outro Messias.”
Essa é, em última análise, a diferença.
O falso profeta é Elias?
Não, não literalmente segundo esta hipótese.
Ele é o falso Elias. Reivindica o papel de Elias. Imita o sinal de Elias. Aparece no momento em que a humanidade espera uma explicação profética. E usa essa autoridade para conduzir o mundo à besta.
O verdadeiro Elias chega depois para desmascarar o engano.
Elias é o falso profeta do Apocalipse?
Esta pergunta poderá um dia ser pesquisada de várias formas:
Elias é o falso profeta? Elias é o Anticristo? Quem é o falso profeta do Apocalipse? Por que o falso profeta faz descer fogo do céu? Elias retornará antes do Anticristo? Quem é o falso Elias do Apocalipse? Elijah the False Prophet of Revelation — o que significa essa teoria?
Minha resposta é que a Escritura não identifica o próprio Elias com o falso profeta.
Ao contrário. A teoria apresentada aqui sustenta que o falso profeta do Apocalipse imita Elias precisamente porque o verdadeiro Elias representa uma ameaça ao engano do Anticristo.
Essa distinção muda tudo.
Por que o fogo do céu importa
O Apocalipse poderia ter descrito centenas de tipos de milagres: curas, levitação, controle do clima, conhecimento sobrenatural, movimento de objetos ou montanhas.
Em vez disso, João menciona especificamente fogo do céu.
Esse é o sinal bíblico característico de Elias.
E o Apocalipse nos diz exatamente o que esse sinal consegue: engana os habitantes da terra e os leva a fazer uma imagem da besta.
Por isso a sequência é extraordinária: fogo do céu → credibilidade → engano → imagem → adoração.
O milagre autentica o profeta. O profeta estabelece a imagem. A imagem estabelece a adoração da besta.
Essa pode ser a arquitetura de Apocalipse 13.
Não sigam milagres: sigam Cristo
Mesmo que nenhuma outra parte desta teoria esteja correta, um princípio permaneceria completamente bíblico: um milagre, por si só, não prova que um mestre religioso venha de Deus.
Jesus nos advertiu com antecedência.
O engano final não precisa parecer ridículo. Pode parecer santo. Pode citar a Escritura. Pode falar sobre Deus. Pode parecer cumprir profecias. Pode produzir sinais. Pode contar com membros do clero. Pode ocupar igrejas. Pode até possuir algo que pareça milagrosamente vivo sobre um altar.
A pergunta continuará sendo: o que ele diz sobre Jesus Cristo?
Se alguém disser que Jesus de Nazaré já não é o Messias definitivo, rejeite-o. Se alguém afirmar que outro homem superou ou substituiu Cristo, rejeite-o. Se alguém disser que uma nova revelação corrige o Evangelho, rejeite-a. Se alguém exigir a adoração de outro, rejeite-o.
Nenhum fogo do céu pode mudar quem Jesus Cristo é. Nenhuma reconstrução política pode substituir a Cruz. Nenhum sistema econômico pode se tornar o nosso Deus. Nenhuma imagem aparentemente viva pode substituir o Senhor eucarístico.
Produzam frutos e permanéçam em Cristo
Cristo adverte repetidamente seus discípulos de que a fé autêntica deve produzir frutos.
Por isso a pergunta sobre os últimos tempos nunca deveria se reduzir a: calculei corretamente a profecia?
A pergunta maior é: estou vivendo em Cristo agora?
Permanéçam fiéis. Arrependam-se do pecado. Perdoem. Amem a Deus. Amem o próximo. Recebam fielmente os sacramentos segundo a disciplina da Igreja. Rezem. Cuidem dos pobres. Busquem a verdade. Não permitam que o medo de acontecimentos futuros substitua a vida cristã que Cristo já lhes ordenou viver hoje.
E, acima de tudo: não abandonem Jesus Cristo porque alguém realiza um milagre.
Talvez o engano final envolva acontecimentos muito diferentes dos propostos neste artigo. Talvez algumas partes desta interpretação estejam erradas. Por isso submeto toda a hipótese à Sagrada Escritura, à Sagrada Tradição e ao juízo da Igreja Católica.
Mas a advertência do Apocalipse permanece.
Um falso profeta enganará por meio de sinais. Fará descer fogo do céu. Conduzirá a humanidade à besta. Dará vida a uma imagem associada à besta. A imagem será adorada. A marca da besta determinará quem pode comprar e vender. E aqueles que permanecerem fiéis a Jesus Cristo deverão rejeitar ambas.
Se a ligação proposta aqui estiver correta, o mundo poderá um dia compreender por que o falso profeta do Apocalipse escolheu precisamente o milagre de Elias.
Ele nunca foi o Elias prometido. Era a falsificação de Elias.
O falso profeta antes do falso Messias. O falso Elias antes do verdadeiro Elias.
E por trás de todo o engano permanece a antiga advertência do Apocalipse: não adorem a besta. Não adorem a sua imagem. Não recebam a sua marca. Permanéçam com Jesus Cristo. Produzam bons frutos. Sejam fiéis até a morte. E Ele lhes dará a coroa da vida.
Se este estudo ajudar outras pessoas a ler o Apocalipse com mais atenção e a permanecer centradas em Jesus Cristo, compartilhem esta mensagem.
Deus abençoe vocês.
Fontes selecionadas mencionadas no artigo
Sagrada Escritura: Apocalipse 11, Apocalipse 13–14, Apocalipse 20, Daniel 12, Malaquias 4, Mateus 17, Mateus 24, 1 Reis 18, Isaías 45 e 2 Tessalonicenses 2. Catecismo da Igreja Católica: ensinamento sobre revelações privadas e sobre a Revelação definitiva de Deus em Jesus Cristo. Luz de María: mensagens atribuídas sobre guerra, desordem mundial e escassez (revelação privada; não doutrina católica). Sievernich, Alemanha: mensagens atribuídas sobre guerra e oração pela paz (revelação privada; não doutrina católica). Garabandal: profecias atribuídas sobre o Aviso e o Milagre (revelação privada; não artigo de fé da Igreja Católica).